quinta-feira, março 23, 2006

Não sei quem és.

Desfolho os poemas guardados nos cantos da alma e vejo-te ali sentada entregue ao teu vazio, o teu olhar descontrolado, uma música no rádio soa no teu ouvido, vejo-te desemparada, sem rumo, sem destino, chamo pelo o teu nome escondeste por de trás do tempo, das recordações que um dia te fizeram sorrir a alma. O presente destroi-te, afugenta-te os sonhos. És miúda de vestido cor de rosa com bordados e cabelos encaracolados. Estas ali neste teu lugar, que apenas te pertence. És sozinha no teu mundo de fantasia, és uma multidão de braços abertos. És inocente quando te sopro as palavras a luz da vela. Acordei afinal somos ambos inocentes. Eu e a minha natureza tu e a tua natureza somos um elo de ligação, porque vives dentro de mim e não sei quem és nem de onde vens. Acordei e só te vejo aqui dentro. Sai vem para a rua e diz-me quem és.

Jamour