sexta-feira, janeiro 13, 2006

Deste lado do Oceano.

O tempo vai passando por mim, por ti, os anos não sossegam, somos o ciclo, este ciclo, que nos revira o passado, o presente e o futuro. A saudade é avassaladora. Consome-me a vida, tira de mim constantes momentos que já vivi junto a ti. Doi-me só de pensar que nunca mais te vi, apenas nos retratos, nas cartas que já me enviaste. Já te disse que tens a letra mais bonita que eu vi até hoje? È verdade. Há músicas que me fazem recordar-me de ti. Nossas músicas, quando tentavas me ensinar a dançar, os meus pés em cima dos teus pés, os teus passos de dança, que tentava acompanhar. Lembraste que chorei porque não conseguia acompanhar. Hoje sei. Sorriu quando penso nisso... Espero que tudo esteja bem com voçes, do outro lado do oceano minhas lágrimas de saudade, têm o teu nome. Há vezes que escrevo cartas que nunca chego a enviar, quem me dera puder ir junto com as cartas, dar-te um abraço forte, um beijo na testa e dizer-te que te amo, sim amo-te como nunca amei ninguém. Esse amor prende-me constantemente, a ti, é uma ligação, uma cúmplicidade. Nossa.
Sei que aquelas miúdas que deixei crianças, algumas já são mães, até os filhos delas meteram o meu nome. Fico lisonjeado por isso. Sinto sempre dificuldade em acabar uma carta, porque a saudade nunca me deixa, aperta-me o peito, vasculha-me a alma, revira-me todos os sentidos. Mas, teve de ser assim, uma separação forçada, mas tu sempre presente neste espaço que eu criei para ti, este espaço que se chama coração, é o teu espaço minha mãe.
Com um grande beijo voando nas asas de um anjo despeço-me na esperança de um dia o meu olhar voltar-se-á a perder-se no teu olhar.


Do teu filho

Jamour